26 de maio de 2010

Passarinho

Quando foi que eu me tornei uma vaca exigente? Desde quando busco esta tão sonhada perfeição?
E você? Sempre foi assim incompetente ou é só para me irritar? Teve algum dia em que eu te julguei capaz de escrever o seu próprio nome? Claro que não.
Me parece tão fácil ser uma anta ensebada... Soa tão mais doce.
O que eu queria mesmo de você, era uma resposta: é tudo arrogância, burrice ou um pouquinho dos dois? A resposta é só o que eu quero, mesmo. Até porque, muito provavelmente, já é muito mais do que você pode dar.
Agora volte para o seu trabalho sujo. Não pare nem pra comer.

22 de maio de 2010

Vittorio

Um dos grandes trunfos da humanidade é a festa open bar. Melhor que festa open bar, é festa open bar de uma certa categoria da sociedade. Melhor que isso, só se a categoria for o CREA.
Eis que, achei conveniente me infiltrar. E como foi.

* 1 *

Fazer amizades é bem fácil, quando as pessoas são movidas ao desespero por beber mais que seu colega ao lado. Fiz uma amiga ótima. Seu nome era com Z, pouco convencional, porém sou incapaz de lembrá-lo. Lembro bem que seus olhos lacrimejavam e seu lápis preto se desfazia. Ela usava all star vermelho, o que é bem subversivo, sendo a festa do CREA. Ela também fazia acrobacias e firulas que pareciam coreografias de pinguins cheirados. Isto é subversivo em qualquer classe. E claro, ela falava. E como falava.
E como boa tia velha malucona, ela tinha um filho. E eu, tendo menos de 40, parecia ser interessante ao filho dela, que sequer estava lá, sequer tinha como controlar a mãe. E quem é que tem, não é mesmo? Eis que minha amiga Z., além de lacrimejar e fazer coreografias, resolveu vender seu filho no estilo polishop - falando sem parar. Mas o menino era ótimo mesmo, exceto por um detalhe: fazia (além de direito) história. E olha que no vestibular ele fez pontos para passar para engenharia, como seu pai.
Tendo tanto em comum, eu e minha amiga não nos largamos mais. Ela urrava que queria mais cerveja pra mim e eu sorria para a platéia. Ela atacava criancinhas com seu afeto maternal, eu sorria para as mães. Ela era mesmo ótima.
Entretanto, mesmo diante duma amizade sincera e embasada em conceitos profundos, tivemos um conflito. Foi na hora que, na melhor das intenções, tentei evitar que ela derrubasse seu drink (de coloração suspeita, é bom informar) em si mesma, que Z. ficou furiosa. Sentiu-se intimidada, desrespeitada. Demonstrou isso ao mundo aos berros, dizendo "O QUE VOCÊ QUERIA? QUERIA MINHA BEBIDA? EU SEI QUE SIM! AGORA BEBE, BEBE!". Bebi, afinal eu faria qualquer coisa para salvar nossa relação. Era vodca. Era vodca e um pouquinho de limão. Limão e traços de coca cola. É válido também, lembrar que a festa era open bar e não serviam vodca. Concluí o óbvio: minha amiga era ótima, pra se guardar no coração.
Enquanto minha vida mudava, meus chefes conversavam. Diziam que Z. era considerada maluca, mas muito bem relacionada. Diziam que não iriam me salvar socialmente. Eu que me entendesse com ela.
No fim da nossa intensa amizade, resolvi atravessar as barreiras e perguntar o nome do seu maravilhoso filho. Constantino, respondeu ela. Argumentei que seria bastante previsível o gosto de seu filho por história, já que seu nome era este. Ela respondeu que não gostava da ideia dele fazer história ainda assim. Mas ele fazia o que queria, afinal, era o próprio Constantino.
Moral da história? Salvei minha filha de se chamar Maria Antonieta.

*2*

Da série grande ideias que salvaram a humanidade, achei conveniente, apesar de estar bêbada como uma porca (ou talvez por isso), montar no touro mecânico. Na fila, várias pessoas, de cinco anos de idade. E eu, de salto e muito blush na cara. Vergonha, nenhuma. Comecei a conversar com o senhor que controlava o touro. Quem não controlava mais nada era o meu lobo frontal. Eu disse que conhecia bem aquele boizinho, afinal, já tinha trabalhado em festas em que ele (o boizinho) estava. Disse que sabia muito bem que haviam várias velocidades e pedi que ele não me sacaneasse. E lá fui eu, de sainha xadrez, mais louca que o Batman, montar no touro. Que bela ideia! Os pais das criancinhas filmaram. O namorado da chefe disse que minha calcinha branca estava ótima, em clara menção a minha performance. Desci, considerando minha atuação quase pornográfica, ótima. Fui pra fila da pipoca e sorri desmioladamente, atropelei crianças, peguei pipoca antes delas e pensei "que mundo, hein".

*3*

Estava disposta a criticar todos. É pra isso que aceito ir em festas que se customizam camisetas. As cougars estavam por todos os lados. De paetês e aplicações de borboletas de strass. Era o terror do repertório visual. Eu sou má, meu coração é preto. Deus irá se vingar de mim.
Certa hora da festa, cansadas de tanto falar das pessoas, eu e minha chefe fomos ao banheiro. Sendo o banheiro um grande container, preferi ficar na salinha antes do mesmo. Sentei e chegaram as moças de 60, com seus paetês. Sorri cinicamente. Elas disseram que eu estava ótima, mas também, eu sou novinha, então é tão mais fácil. Foi um golpe baixo. Eu falei mal delas e elas me provaram que em alguns anos, caso eu não morra, estarei usando borboletas e paetês.
Elas começaram a tirar fotos no espelho do banheiro. Nada mais justo, considerando que os velhos são bebês, nada errado com as senhoras de meia idade existirem feito adolescentes. E como o cinismo não era mais uma arma eficaz, resolvi sorrir desmioladamente e oferecer meus serviços de fotografia. Elas aceitaram. Minha chefe, que tinha aceitado o desafio do banheiro, já tinha voltado nesta hora. As senhoras de 60 foram do bem e chamaram minha chefe para tirar fotos com elas. Incentivei a chefe a ir, para não perder a oportunidade de sacanea-la. Mas eis que, em poucos flashs, estavam as duas moças de 60, a chefe e eu, tirando fotos. Adolescentes (estas, com 14 anos mesmo) nos olhavam, nos reprovavam. Mal sabem elas que também estão fadadas ao paetês. Que deus ajude estas ovelhas.

*4*

Cansada de tudo aquilo, daquela gente customizada, resolvi ser rebelde e ir embora. Saí a pé, já que nem bicicleta eu sei usar. Começou a chover e eu praguejei que aquela chuva perdurasse, que estragasse várias chapinhas das mocinhas da festa. E eu chutava pedrinhas, me molhava e tentava ajustar o foco da visão. Tentava também achar o ponto de ônibus. Mas o mundo, o mundo é lindo. Da névoa alcoólatra surgiu um carro prata e uma funcionária do CREA, que me ofereceu carona. Não respondi, abri a porta do carro e entrei. Ela conhecia meu chefe, viramos amigas. Me trouxe em casa. Coisa linda. Esta é a dica do dia: seja amarga e o mundo parecerá melhor com qualquer boa ação.

Obrigada a todos os envolvidos.

20 de maio de 2010

Pode-se dizer que passo blush demais.

Quando comecei a escrever neste simpático blog (ih, acho que já tratei disso), eu não tinha muitas preocupações. Tinha apenas opinião sobre tudo e todos. Talvez quisesse perder uns 3 quilos e completar o álbum da Copa. Nesta Copa, nem álbum eu tenho. Como se estes fossem vitais.
Hoje, pobre blog, não tenho opinião para nada, nem ao mesmo sobre aquilo que teoricamente eu deveria entender. Me tornei uma designer que só fala de design. Ai que gente tédio. Eles me venceram, fizeram bem aquela lavagem. Eu me tornei apenas uma grande fã de Boulle.
Mas aí me garantiram que ao final da faculdade, deus iria me devolver toda a minha paixão por política. Eu voltaria a saber o nome dos presidentes dos partidos e a nome da CPI em vigência. Como aqueles dependentes químicos, que entregam o celular antes de entrar no tratamento.
Até que não mentiram pra mim e cada dia que fico fora da sala de aula, vejo mais um pouco de TV Justiça. Talvez não seja deus e sim o tempinho que nos sobra.
A verdade é que deixei o tempo me endurecer demais, sem nenhuma ternura.

13 de março de 2010

Futuro do passado

Detesto não ter controle de algo. Apesar disso, não tenho controle nem mesmo dos meus movimentos. É como poder afirmar que cinco minutos da minha presença numa cozinha irá gerar um incêndio.

Detesto /querer/ controlar o mundo.

Eu sei, você é incapaz de adivinhar o que eu penso.
Sei também que não é exatamente sua culpa. Nem minha.
Quero te falar várias coisas enquanto você dorme. Não quero falar com você enquanto acordado.
Vou te esmagar e arrancar seu rim com os dentes.
Eu não dou a mínima do que você me diz, mas me irrita lembrar de suas frases durante todo o dia.
Não quero saber do terremoto do Chile, nem da divertidíssima festa que eu perdi.

Saudades do tempo que não vivi.

De repente me lembrei porque escrevia. E foi esse o único motivo para (querer) voltar.

É que sou chata, difícil de lidar, teimosa e diversas vezes grosseira. Se continuar me aprimorando, tenho um brilhante futuro em querer ser Bukowski.

São as pessoas chatas as que precisam escrever. Se fossem legais os escritores (aka blogueiros), eles estariam bebendo cerveja com os amigos, mas não, estão sós. E estar só, significa estar com um bloquinho sendo anotado (mesmo com dez pessoas em volta, bebendo cerveja) ou, neste caso, estar só é apenas estar acordada quando o outro dorme.

Só que mesmo a criatura mais má, negra e com olhar das trevas necessita falar. Aí ela fala, com o seu infeliz blog, com seu infeliz amigo away no gtalk. Fala também com os animais. E ainda acaba com "prontofalei", para ser MUDERNA.

Adoro gente MUDERNA.

16 de março de 2009

Menos

Eu deveria questionar menos e ser mais feliz.

9 de março de 2009

Repito-me (no post e no hábito)

Já reparei: só sou capaz de escrever depois me olhar muito tempo no espelho.
Se somar e tirar, no final é sempre a mesma coisa. A cara é a mesma, o corte é bem parecido.
A cor dos cabelos, fora uns fios brancos que sempre surgem, tudo igual.
E não é analogia nenhuma. Nem nenhuma metáfora. É dele, do meu velho espelho, que eu sempre preciso.

Da chuva chata com calor insuportável até a internet lenta mais do que deveria. Tudo numa repetição, pior que refrão de música popzera. Das músicas a gente gosta, elas são bobas demais e não fomos nós mesmas que criamos. Sendo isenta nossa culpa, podemos nos divertir e dançar 'Toxic' até o chão. Nós mesmas, nós mesmas.

E preciso dele, do espelho, porque ele me deixa pensando em como minha barriga deveria estar menor, no como eu deveria beber menos, no como eu deveria ser menos dramática. Aí vem a parte que ele me lembra que tudo isso que eu pensei é mulherzinha demais e eu, macho demais. Sempre tem os amigos mais íntimos, que sabem que eu sempre tropeço na frente da Receita Federal, me olhando nos vidros revestidos de papel laminado dourado, mais cafona que dizer cafona. Mas eles (os espelhos), assim como os homens com bons argumentos, me encantam. Não gosto muito dos espelhos-laminados, mas também não gosto muito dos que fazem a barba. Mesmo não gostando muito, continuo tropeçando.

Aí tem aqueles amigos ainda mais íntimos, e ainda mais observadores, que dizem que eu exagero, que tudo não é assim, e que sabem que eu gosto de tudo isso, com todo o cinza - do dia de chuva com calor insuportável. E eu digo, sem ser íntima ou observadora, que tudo o que eu não sei é como quebrar esse ciclo. Tudo que sei é que só eu sei.

Mas aí eu me olho no espelho, como já fiz trezentos mil e quatrocentos e dezoito vezes, sendo chuva e calor ou chuva e frio - o que importa é que aqui sempre chove. E aí eu sento na frente do meu teclado, preto com as teclas gastas diariamente. Penso que sou Bukowski, bêbada e promíscua. Não, tô mais para Tolstoi, fazendo de qualquer paixão algo imenso e interessante. Aí releio toda essa coisa, esse espelho em letras, e percebo que sem a genialidade de nenhum destes, eu sou no máximo Camões, querendo que todos soubessem da chatisse que ele sentia, mas de verdade, não interessava à ninguém.

19 de fevereiro de 2009

Por isso que eu gosto de pedalar.

Você cantarola no meu ouvido

What I am to you is not real.
What I am to you, you do not need.
What I am to you is not what you mean to me.


Eu sinto sua respiração no meu pescoço, afinal, você está tão próximo.
Esta cena se repete incansavelmente - por anos. Por estar habituada com o acontecimento, meu cérebro desliga-se do turbilhão de frases e começa a observar que nos bancos da frente (e também nos de trás) de mim (sozinha) existem homens tão apaixonados que são patéticos. Apaixonados por elas.

Quando começo a raciocinar, começo também a perder as forças.

16 de fevereiro de 2009

Na fila do banco.

O homem andava apressado, atropelando todos que estivessem na sua frente. Furou a qualquer espécie de fila, entregou algo ao seu amigo/comparsa bancário. Na volta, girava a língua para fora da boca, num semblante que era misto de 'sua gostosa' com 'eu sou malandrão'. Tive de perdoá-lo por suas selvajarias - ele usava um mocassim prateado.

15 de fevereiro de 2009

u-i-a

v. tr. e int.,
causar torpor a;
adormentar;
amortecer;
impedir (o movimento) dos membros;
enervar;
tirar a energia;
enfraquecer;
desfalecer;
desalentar-se.

28 de dezembro de 2008

Pois não pense que eu esqueci.

Não importa se ela me faz sorrir, me traz otimismo e vontade de sair à noite. Não importa se ela enlouquece com as minhas brigas (com terceiros) ou se ela sabe o que tem dentro do meu coração. Não importa se ela é doce e aceita várias coisas para me ver feliz. Não importa porque isso é o que ela faz existindo na minha vida. Só que seus encantos são muito maiores e alcançam muito mais gente. Ela é super da família e minha tia mima ela fazendo pães de queijo. Se estica feito gato e me incentiva a praticar algum esporte, mesmo que em geral eu a leve mais para beber vinho do que caminhamos pela beira mar. É com ela (e mais uns aí) que eu vou desbravar o mundo e subir o Machu Picchu. É com ela que eu compro blusas por dez reais e me sinto gringa. Mojito ou pão com tomate e cenouras, correr na beiramar ou comprar garrafão na cantina do vinho, Rio de Janeiro ou Lima – pouco importa, o que não consigo suprir, superar ou esquecer é a imensa vontade de te ter ao meu lado. Todos os anos, no final do ano, eu penso em como tudo foi e eu sempre, sempre sei que tudo foi melhor, porque você esteve aqui do meu lado. Te amo (pelo menos até o ano que vem) com todas as minhas forças. Hasta luego! Feliz aniversário Joan!

Experimentos de verão (parte 1): forró.

Elisinha não precisou me convencer, costumo confiar nela e aceitei o desafio. A noita tava boa, quente e estrelada. Como somos mulheres, chegamos cedo para não pagar entrada (daquelas vantagens que as neo-feministas de plantão fingem não ver) e ficamos lá, esperando o lugar abrir. De dentro, fiquei menos assustada. Havia uma mesa lateral imensa, que margeava todo o salão. Tampo de fórmula (um clássico dos botecos) e banquetas construtivistas. Hype mesmo eram as luzes vermelhas que iluminavam a baladinha e me deram vontade de tirar uma lomo da bolsa e fazer fotografias narcisistas ao extremo. Mas bonita mesmo, era a vista de lá – talvez pela minha imensa vontade de fugir – embaixo da festa (que ficava numa espécie de segundo andar) tinha a rua movimentada e bem no final do horizonte tinham luzes, o que me fazia supor que no breu entre a rua e o horizonte havia uma paisagem bem bonita. Sobre as pessoas, era fácil definir estereótipos: meninas de saião e sapatilha, apesar das novas versões de salto (as fakes forrozeiras, soube com o passar do tempo) e os meninos, de all star (é, all star) e bermuda. Pessoas mais felizes do que bonitas. Mais simpáticas do que compreensivas. Como se fossem a Dani Carlos, todas as músicas tinham versões em forró. Desde aqueles sambinhas roots até uns rockzinhos. Divertidíssimo. Pânico só na hora de troca de músicas, onde sempre vinha alguém me convencer a dançar. Ninguém conseguiu. Comprei um coca e assisti tudo com a minha lomo imaginária. Fiz 128 fotos.

9 de dezembro de 2008

Sinestesia entorpecida

Fico na dúvida se é teu cheiro gritante ou tuas frases vermelhas que me deixam assim, tão desalentada.

Ohhhhh You're changing your heart
Ohhhhh You know who you are
Feist

28 de novembro de 2008

Carta resposta

Pastel diz (20:37):

Somos sim, arrogantes, mas isso não os isenta de serem imbecis.

25 de novembro de 2008

Mas essa maldita música eu não consigo parar de dar play.

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Sem hipérboles: aos prantos eu gritava para todos que não queriam ouvir

- Como ele pode estar com uma patricinha dessas? Como?

Certamente eu acreditava ser superior a todas as patricinhas do mundo e ele, que nem estava coisa alguma, não nos distinguiria em muitas coisas, certamente.

Aí que alguém tentou me acalmar dizendo as palavras erradas. Esse alguém, que não pude reconhecer enquanto o lapso da falta de amor-próprio me consumia, disse-me sabiamente que era tão certo ele estar com uma patricinha como era errado estar comigo.

Ninguém precisaria apostar nada, é óbvio que discordei. Só que aí o tempo passa e ele sempre passa. Passou e hoje concordo muito com a calma voz sábia, mas crio outro dilema: seriam sempre eles imbecis ou eu que estou possuída por uma arrogância e certeza de superioridade sem volta?

E eu nem estou me referindo a pegar meninas desmioladas...

23 de novembro de 2008

V. Flusser diz (12:51):

[...] pressupõem que todos os homens devam ser competentes o suficiente para isso. mas não se pode confiar nessa pressuposição.

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17 de novembro de 2008

As batatas.

Quando um desafeto seu demonstra preocupação e até um certo respeito por você, imediatamente só lhe resta largar as armas no chão e calar-se. Não é que eu tenha desistido, apenas foi você quem me venceu.

16 de novembro de 2008

Ele é a causa e você, o efeito.

Panos de tela vazios
Camadas de argila intocadas
Estavam espalhados frente à mim, como um dia o corpo dela esteve
Todos os cinco horizontes giravam ao redor de sua alma
Como a terra ao redor do sol
E agora o ar que eu provei e respirei, foi revezado

(Pearl Jam - Black)
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Onde estão os homens entorpecidos e loucamente apaixonados? De certo todos viram música.
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15 de novembro de 2008

Que espécie de infeliz nasce dia 15 de novembro?

Dizem sempre por aí, naquelas repetições mais desnecessárias do que as capas para controle remoto, que os amigos são a família que nós escolhemos. Aí venho eu aqui e pergunto: e faz o que com a família que eu não pedi para entidade maior alguma?

Faz piada sobre a caixa de leite, que só utiliza materiais recicláveis (ih é?), faz complô para roubar queijo-luxo da avó, faz os outros parecerem burros por não entenderem a camiseta-homenagem à Duchamp. Perdem-se horas de sono rindo sobre os REPETITIVOS-CLICHÊS (não tem quem diga) que passam na televisão, sobre a imperatriz do mau e sobre a supostamente perseguida mamãe.

Faz blasfêmia!, faz caridade, faz piada, faz reportagens, faz filmagens, faz sarau, faz os vizinhos a-d-o-r-a-r-e-m viver aqui pertinho, faz cinismo e faz birra. Faz tudo isso logo ali, na porta da cozinha. Todos os dias.

Fique sabendo que você ainda é um estranho, que eu não esqueci quando você ensangüentou o meu nariz antes da final de basquete (mentira, era semi, mas eu só perdi por causa do nariz), que você ainda é petulante e arrogante. Não, você não conhece todas as palavras do dicionário. Não, você não emprega vírgula melhor do que eu. Não, você não sabe nada da vida do Miró. Sim, você é um futuro engenheiro cinza. Sim, você incomoda tanto o seu irmão pequeno que me dá dor de cabeça.

E chega de elogios, irmãzinho, senão

Bukowski não me perdooa mais.

Te amo até sendo feriado no sábado.