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2 de julho de 2010

copiei dum newsletter

7h tomar café, ler e-mails e jornal
8h correr pelo menos uma hora
10h chegar no escritório
13h almoço com cliente (seja pontual)
20h último horário da manicure
21h drinque com amigas (nada pontual)
24h cama, enfim!

se eu fosse de deus, ele me faria assim, mas como eu não sou, vou imprimir isso e desejar ser assim até o fim dos meus dias.

16 de fevereiro de 2009

Na fila do banco.

O homem andava apressado, atropelando todos que estivessem na sua frente. Furou a qualquer espécie de fila, entregou algo ao seu amigo/comparsa bancário. Na volta, girava a língua para fora da boca, num semblante que era misto de 'sua gostosa' com 'eu sou malandrão'. Tive de perdoá-lo por suas selvajarias - ele usava um mocassim prateado.

14 de novembro de 2008

Ora, pois... achou que era mensagem para você?

Não é questão de ser subversiva. Não que eu não goste de “pôr em estado de desordem”, mas garota marota que sou nego estar obcecada pelo caos. Me parece que o caso é mesmo de chatice, porque berrar mais alto é uma grande constante nessa minha vida. Talvez eu devesse me desculpar por algumas coisas ditas – daqui dez anos talvez esteja apta para o assunto. Então que soe grosseiro, que seja cítrico, mas que se resolva tudo isso.

20 de outubro de 2008

Sou fina, vou ao teatro.

Quando eu tinha doze anos me chamaram para ir ao teatro. Lembro-me com perfeição de vestir uma blusona de lã, uma calça jeans de uma cor que jamais usaria hoje e meu adidas star (moderninha que era). A peça era “Confissões de adolescente” – eu tinha doze anos!

Chegando lá, num frio do cão, olhei ao meu redor e fiquei assustada. “Que poha é essa?!” – pensei. As mulheres usavam seus casacos peludos, brincos dourados e salto quinze. Os homens se vestiam como executivos (só que era domingo). Senti-me mendiga, porque na época não usava estilo como desculpa para me vestir mal. Pensei em fugir, mas as minhas amiguinhas impediram. Vi a peça na primeira fila porque sou muito burguesa e tinha ingresso dos patrocinadores (e não enxerguei nada porque a primeira fila era péssima) e ri litruz bastante. No final foi tudo bem e todos sobreviveram.

Anos mais tarde fui novamente assistir uma peça dessas clichês globais. Só que daí o enredo era outro: as pessoas continuavam a se vestir no estilo selvagem-urbano e eu continuava com a mesma roupinha da infância, só que diferente da outra experiência não me senti uma mendiga. Dessa vez eu não achei tanta graça e o final acabou sendo um alívio.

Hoje e somente hoje eu entendi: é que na minha querida cidade, cultura é fato raro e quando a festa é boa a gente usa a melhor das nossas roupas.


Naiarinha fica brava se lhe perguntam porque não se muda e vai muito pouco ao teatro, mas pelo menos já aprendeu que peças globais não lhe agradam.

3 de agosto de 2008

Mas pode me chamar de gengibre.

Até ontem dizia para minha mãe que desprezava o gengibre. Toda vez que o tal gengibre ficava na minha vista (na cesta de frutas ou na geladeira) uma coisa era certa: pobreza. Gengibre só aparece aqui em casa quando não há mais comida alguma disposta. Pior que cheiro de mexerica só gengibre, apesar da briga ser boa.

Só que é aquela história – um dia tudo muda. Hoje tudo mudou. Tudo o que eu pensava sobre o gengibre mudou e agora somos amigos. Ou melhor, somos mais que isso. A relação é tão intensa que agora eu quero ser um gengibre.

Feio e desproporcional o gengibre várias vezes parece um dedo mutilado conservado em geladeira. Mas mesmo assim eu gosto dele. É paixão e a gente não explica, mas vamos aos fatos: hoje eu estava avisada, entre uma garfada ou outra eu iria encontrar o gengibre. Mesmo de forma tensa, nossa relação se aprofundou aí, quando descobri que gengibre é uma pimenta desajeitada, sem cores vibrantes. Discreto e provocante.

Minha personalidade ideal em forma de metáfora comestível. Arde, incomoda e a gente sempre quer mais. Vida longa ao gengibre porque ser bonitinho não é tudo nessa vida quando precisam de nós no dia seguinte.

2 de agosto de 2008

Você é boa no quê?

Já não gostei dele e não gostei mesmo. Não precisei de motivos para isso, apenas a pose de superior e o cachecol dele já me irritaram bastante. Pareceu que horas de trabalho eram as coisas mais importantes do mundo.

Se inicialmente não tive boas impressões dele, imagine só quando ele resolveu falar. Falar e falar e como falava. Dizem que nosso próprio defeito nos incomoda mais. Era para um grupo que ele exaltava suas qualidades, mas parecia que tudo era só para mim. Tudo pessoal.

Mas a cereja do bolo foi o momento que ele resolveu fazer perguntas e as fez justamente para mim. Perguntou-me sobre habilidades e eu respondia furiosamente doce que não as tinha. Ele se irritou. Eu me irritei ainda mais. De repente ele me pergunta (como quem enfia uma faca no estômago do inimigo) e de forma nada amistosa: mas afinal você é boa em quê?

E eu respondo: em detestar pessoas como você.

28 de janeiro de 2008