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23 de outubro de 2008

Elucubrações do final do dia.


marina diz (18:53):
eu sempre me pergunto
marina diz (18:53):
o que leva alguém a ir pra aula de salto-alto?
maria antonieta diz (18:53):
o que?
maria antonieta diz (18:53):
será a mesma coisa que leva alguém a ir de bicicleta na chuva?
marina diz (18:53):
é confortável ir pra aula vestida assim?
maria antonieta diz (18:53):
vício? necessidade?
marina diz (18:54):
me pergunto isso tb
maria antonieta diz (18:54):
IXTILO neguinha
marina diz (18:54):
necessidade de chamar atenção pra si
maria antonieta diz (18:54):
mas é uma vida assim que levamos
maria antonieta diz (18:54):
aquela no qual pensamos, pesquisamos e concluímos:
maria antonieta diz (18:54):
saber a resposta é irrelevante.

20 de outubro de 2008

Sou fina, vou ao teatro.

Quando eu tinha doze anos me chamaram para ir ao teatro. Lembro-me com perfeição de vestir uma blusona de lã, uma calça jeans de uma cor que jamais usaria hoje e meu adidas star (moderninha que era). A peça era “Confissões de adolescente” – eu tinha doze anos!

Chegando lá, num frio do cão, olhei ao meu redor e fiquei assustada. “Que poha é essa?!” – pensei. As mulheres usavam seus casacos peludos, brincos dourados e salto quinze. Os homens se vestiam como executivos (só que era domingo). Senti-me mendiga, porque na época não usava estilo como desculpa para me vestir mal. Pensei em fugir, mas as minhas amiguinhas impediram. Vi a peça na primeira fila porque sou muito burguesa e tinha ingresso dos patrocinadores (e não enxerguei nada porque a primeira fila era péssima) e ri litruz bastante. No final foi tudo bem e todos sobreviveram.

Anos mais tarde fui novamente assistir uma peça dessas clichês globais. Só que daí o enredo era outro: as pessoas continuavam a se vestir no estilo selvagem-urbano e eu continuava com a mesma roupinha da infância, só que diferente da outra experiência não me senti uma mendiga. Dessa vez eu não achei tanta graça e o final acabou sendo um alívio.

Hoje e somente hoje eu entendi: é que na minha querida cidade, cultura é fato raro e quando a festa é boa a gente usa a melhor das nossas roupas.


Naiarinha fica brava se lhe perguntam porque não se muda e vai muito pouco ao teatro, mas pelo menos já aprendeu que peças globais não lhe agradam.

11 de agosto de 2008

Quiz, quiz, quiz!

Que o mundo é cheio de gente hipócrita, que só faz valer seus princípios quando lhes convém e que as pessoas se cegam por comodismo todo mundo sabe. Porém existem algumas figuras que nos surpreendem – ainda bem. Não vou aqui dedicar linhas às pessoas que estão super aí para salvar o mundo ou coisa do gênero. Não! Falo dos sujeitos que vestem o figurino dum perfeito rebelde, criticam deus e o mundo, mas no final das contas tudo que sabem ser é o filho único da mamãe.

Tenho plena certeza de que freqüentemente faço a mesmíssima coisa e tantas outras pessoas também a fazem. Faz parte do nosso cinismo enraizado desde sempre. Mas é como certa vez citou uma palestrante magricela:

Quando vendemos uma imagem, temos alguns pontos, conceitos que precisam ser respeitados. Tudo bem a dona da Daslu ser presa por sonegar impostos, mas seria trágico se descobrissem, por exemplo, que ela vende produtos falsificados. Já o PT ter um esquema de “mensalão” abala para sempre sua imagem, pois esse vendeu a imagem de honesto toda a sua história.

Bom: o que tento dizer é muitas vezes nos falta olhar no espelho, afinal é tão mais prático falar dos outros. Nada fora do clichê, nada fora do consenso mundial. Só que eu precisava fazer a piadinha:

1) Leia atentamente as questões abaixo, reflita e escolha a que melhor se adéqua com o seu perfil:

a) Se lhe ofertasse uma viagem aos principais museus da Europa ou então uma criação única e exclusiva de Manolo Blahnik, qual você escolheria?

( ) Com certeza iria aprimorar meus conhecimentos sobre arte e viajaria feliz da vida para a Europa – cultura é tudo.

( ) Criação exclusiva? Do Manolinho? Só pode ta de brincadeira que algum imbecil iria para a Europa.

b) Entre fazer uma faculdade inteira num país mais ou menos ou uma criação de Manolo, com qual você fica?

( ) Bom, escolheria um bom curso (talvez até de pós) e aproveitaria a incrível oportunidade, visando sempre o futuro.

( ) Iria certamente num casamento usando meu Manolo e todas ficariam roxas de inveja, inclusive a Doutora que dá em cima do meu namorado.

c) Se você pudesse fazer uma plantação de açaí, tendo um mercado imenso para compras das suas frutas ou esse mesmo dinheiro fosse investido numa sapatinho lindo do Manolo, com aquele salta incrível, qual escolheria?

( ) Sem sombra de dúvidas plantaria açaí – sou verde e quero salvar o mundo.

( ) Usaria meu Manolo, isso iria aumentar meu network.

d) Para finalizar, em quantas parcelas você parcelaria seu Manolo?

( ) 72 vezes

( ) 10 anos

( ) 20 anos

( ) Venderia a mãe e a alma para pagar a vista, eu sou fina meu bem.

Manolo Blahnik (Santa Cruz de La Palma, 27 de Novembro de 1942) é um estilista espanhol e dono de uma das mais proeminentes marcas de sapatos femininos. Suas criações custam em média 8,000 reais e ele possui fila da espera para vender seus objetos de desejo. Eu sou uma universitária que nunca viu 8,000 reais na mão e falo e critico pessoas sem embasamento algum. Este foi meu primeiro post remunerado e receberei por ele um copo (de isopor!) de café no valor de R$0,50.